O que realmente importa na dieta da gestante e os erros mais comuns que podem afetar a saúde da mãe e do bebê
Durante a gravidez, é comum que a mulher receba uma enxurrada de conselhos — vindos de familiares, amigos e até desconhecidos — sobre o que pode ou não comer. Apesar das boas intenções, muitos desses palpites são baseados em mitos populares e não em evidências científicas. Ter uma alimentação saudável na gestação é fundamental para o desenvolvimento do bebê e para o bem-estar da gestante, mas é preciso separar o que é verdade do que é exagero.
A seguir, listamos alguns dos principais mitos e verdades sobre alimentação na gravidez:
Mito 1: “Grávida deve comer por dois”
FALSO. Essa é uma das crenças mais populares, mas está longe de ser verdade. Durante a gestação, as necessidades calóricas aumentam, sim, mas de forma moderada. No segundo trimestre, o acréscimo ideal é de cerca de 300 calorias por dia e, no terceiro trimestre, cerca de 450 calorias extras. O foco deve ser na qualidade dos alimentos, não na quantidade.
Mito 2: “Peixe cru está proibido durante toda a gravidez”
VERDADE. O consumo de alimentos crus, como sushi e sashimi, representa risco aumentado de infecções por bactérias e parasitas, como a Listeria e o Toxoplasma gondii, que podem afetar o desenvolvimento do feto. É recomendável evitar durante toda a gestação.
Mito 3: “Um golinho de vinho não faz mal”
FALSO. Não há dose segura de álcool durante a gravidez. O consumo, mesmo que ocasional, pode causar Síndrome Alcoólica Fetal, que compromete o desenvolvimento neurológico do bebê. A recomendação médica é abstinência total de bebidas alcoólicas.
Mito 4: “Queijos estão liberados”
DEPENDE. Queijos feitos com leite pasteurizado, como muçarela, ricota e queijo minas, estão liberados. No entanto, queijos moles e não pasteurizados, como brie, camembert e gorgonzola, devem ser evitados devido ao risco de contaminação por Listeria.
Mito 5: “Café está proibido”
FALSO. O café não precisa ser eliminado, mas deve ser consumido com moderação. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de até 200 mg de cafeína por dia — o que equivale a cerca de 1 a 2 xícaras de café. Excesso pode afetar o sono da gestante e aumentar riscos de complicações.
O que a gestante deve priorizar na alimentação?
Frutas e verduras variadas, bem lavadas
Fontes de ferro, como feijão, carne vermelha magra e vegetais escuros
Cálcio, presente no leite e derivados
Proteínas de boa qualidade, como ovos, carnes e leguminosas
Hidratação constante, com bastante água
Suplementação com ácido fólico e ferro, conforme orientação médica
A gestação é um período de grandes transformações físicas e emocionais. Ter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e baseada em informações confiáveis, é um dos pilares para uma gravidez saudável. Em caso de dúvidas, o melhor caminho sempre será consultar um(a) nutricionista ou obstetra — e deixar os palpites de lado.

