Originárias de Madagascar, as árvores se adaptaram ao clima do Cerrado e colorem a capital com flores vermelhas, laranjas e amarelas

Com a chegada da primavera, Brasília ganha um novo espetáculo de cores. Entre o fim de setembro e o início do verão, os flamboyants começam a florescer, transformando o cenário árido da seca em um verdadeiro jardim tropical. As copas alaranjadas, avermelhadas e amareladas dessas árvores rompem o tom amarelado da vegetação do Cerrado e encantam quem passa pelas ruas e avenidas do Distrito Federal.

A floração da espécie ocorre entre outubro e dezembro, período em que as árvores atingem o auge da beleza. Com copas largas em formato de guarda-chuva e troncos robustos, os flamboyants podem chegar a 13 metros de altura. Embora sejam facilmente encontrados em todo o país, eles são nativos da ilha de Madagascar, na África, e foram introduzidos no Brasil ainda no século 19, adaptando-se com sucesso ao clima quente e seco da capital federal.

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) é responsável pela manutenção e manejo dessas árvores em Brasília. Segundo Tiago Alencar de Araújo, assessor da Diretoria das Cidades da empresa pública, o nome “flamboyant” vem do francês e significa “flamejar”, uma referência direta à intensidade das cores das flores.

“É uma espécie muito admirada pela floração exuberante. Como tem raízes fortes e madeira mais leve, recomendamos o plantio longe de calçadas e postes. A Novacap também faz podas regulares para garantir o desenvolvimento saudável e a segurança das áreas públicas”, explica Tiago.

O assessor acrescenta que a floração costuma ocorrer entre outubro e o final do verão, mas em alguns anos podem surgir florações duplas, quando as árvores “sentem” as chuvas fora de época. De crescimento rápido, o flamboyant pode levar de três a seis anos para florescer pela primeira vez. A estimativa é que existam cerca de 100 mil flamboyants espalhados pelo Distrito Federal.

Na Asa Norte, a aposentada Risalva Carneiro Ferreira, de 74 anos, acompanha de perto o florescimento de dois grandes flamboyants próximos à sua casa — um alaranjado e outro amarelo, considerado mais raro na região.

“Quando eles florescem, é uma alegria. As copas ficam cheias, com folhas verdes após as chuvas e flores intensas durante a seca. É uma beleza colorida em meio ao calor e traz uma sombra maravilhosa”, conta Risalva, encantada.

Entre o concreto e a poeira da seca, os flamboyants são um lembrete vivo de que a natureza sempre encontra uma forma de florescer — mesmo sob o sol mais intenso do Cerrado.

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