Decisão do Conselho de Administração da empresa (Consad) cria base permanente para ações de combate à discriminação, promoção da equidade e valorização das pessoas. O tema agora é institucionalizado – com planejamento, indicadores e governança próprios.

Desde sexta-feira, 19, a Embrapa tem uma Política de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração (Consad) e formaliza, em norma corporativa, diretrizes, princípios e responsabilidades para o enfrentamento das desigualdades e a promoção de um ambiente de trabalho mais justo, seguro e inclusivo para todos os empregados e colaboradores. 

A política prevê a criação de uma Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão, que será responsável por elaborar o plano de ação, definir indicadores, acompanhar resultados e coordenar iniciativas relacionadas ao tema em toda a Empresa.

Para a diretora de Governança e Informação,Selma Beltrão, que criou o GT e conduziu os trabalhos desde setembro de 2024, a política “reafirma o compromisso da Embrapa com o estabelecimento de um ambiente respeitoso e inclusivo para empregadas e empregados”. E “contribui com as políticas públicas do governo federal e com o pilar social das boas práticas em ASG (ambiental, social e governança)”, complementa.

A diretora de Administração, Tereza Cristina de Oliveira, diz que “a experiência acumulada colocou a Embrapa na vanguarda do Pacto”. Ao lado da BB Tecnologia e Serviços e da Autoridade Portuária de Santos, a empresa assumiu a coordenação da Ação 1 do Pacto, responsável pelo diagnóstico do perfil de diversidade nas estatais. Como resultado, foram elaborados um manual orientador e um instrumento de coleta de dados que teve como base o questionário desenvolvido pela própria Embrapa.

Segundo Tereza Cristina, a trajetória da Embrapa mostra que a inovação também acontece na gestão de pessoas: “Com escuta, dados e ação, a Empresa transforma diversidade em potência institucional e se firma como referência no setor público brasileiro”. 

Tema é incorporado como política institucional

Dione Melo da Silva é assessora da Diretoria-Executiva de Administração e foi coordenadora do Grupo de Trabalho que elaborou a proposta. Ela explica que a principal mudança é a institucionalização do tema: “A partir da aprovação, diversidade, equidade e inclusão deixam de ser apenas um conjunto de iniciativas isoladas e passam a integrar formalmente a estrutura de governança da Embrapa”.

Ela destaca que a política garante continuidade ao tema, independentemente de mudanças de gestão. “Agora existe uma política formal. Isso dá estabilidade, previsibilidade e respaldo institucional para planejar ações, estabelecer protocolos e avançar de forma coordenada”, afirma.

A construção da política começou em janeiro de 2024, com a criação de um grupo de trabalho formado por 21 pessoas, representando diferentes cargos, unidades e marcadores sociais, como gênero, raça, pessoas com deficiência e população LGBTQIAPN+. O texto passou por instâncias de governança, assessoria jurídica e comitês antes de chegar ao Consad para aprovação.

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Pesquisa orientou a proposta

A política foi elaborada com base em consultas e informações internas. Em 2024, a Embrapa realizou sua primeira Pesquisa de Diversidade, Equidade e Inclusão, com a participação de 2.172 empregados.

Os dados revelaram desafios importantes: 43% dos respondentes afirmaram já terem se sentido discriminados no ambiente de trabalho e 58% disseram ter presenciado episódios de discriminação envolvendo colegas. Questões relacionadas a cargo, gênero, idade e raça aparecem entre os principais fatores associados às situações relatadas. “Esses números mostram que o tema não é abstrato. Ele impacta o cotidiano das pessoas e precisa ser enfrentado de forma estruturada”, diz Dione.

Do diagnóstico ao plano de ação

Com a aprovação da política, o próximo passo é a instalação da Comissão de DEI, que terá a missão de transformar diretrizes em ações concretas. Entre as atribuições previstas estão a elaboração de planos de ação, a definição de metas e indicadores, a revisão de normativos internos e a articulação com áreas como gestão de pessoas, governança, ouvidoria e corregedoria.

“A política cria o mandato institucional. A comissão será o espaço legítimo para ouvir as unidades, envolver as diretorias e construir, de forma participativa, as prioridades e iniciativas”, explica a pesquisadora. Segundo ela, ações que já existiam de forma dispersa — como iniciativas de acolhimento, capacitação de lideranças e estímulo à presença feminina em cargos de chefia — passam agora a integrar uma lógica sistêmica.

Alinhamento com governança e políticas públicas

A Política de DEI da Embrapa está alinhada a princípios de governança, legislação federal e compromissos assumidos pelas estatais brasileiras. A Empresa aderiu, em 2025, ao Pacto das Estatais pela Diversidade, Equidade e Inclusão, coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação e pelo Ministério das Mulheres e da Igualdade Racial. A Embrapa tornou-se referência no serviço público brasileiro por avançar rapidamente nas primeiras etapas previstas pelo pacto, como diagnóstico e formalização da política. “O Pacto pela Diversidade foi elaborado em torno de 14 ações”, explica a diretora de Administração, Tereza Cristina. 

“O modelo da política e da pesquisa que realizamos está sendo compartilhado como referência para outras estatais”, explica a Tereza Cristina. “Temos que continuar trabalhando para avançar nas demais entregas previstas no Pacto. Por exemplo, elaborar indicadores para monitorar as ações e a efetividade da política na nossa Empresa”, conta.

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Jorge Duarte
Assessoria de Comunicação (Ascom))

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