Universidade sobe duas posições e ocupa 831º lugar no CWUR. Em 11º entre as brasileiras, instituição foi uma das cinco nacionais em ascensão
Gisele Pimenta
Universidade de Brasília marca sua maior pontuação em um dos mais renomados rankings globais, o CWUR. Foto: Isa Lima/Secom UnB
A UnB está entre as Top 4% das melhores universidades do mundo, com a chancela do Center for World University Rankings (CWUR). Em 2026, a instituição alcançou o 831º lugar em um dos mais renomados rankings internacionais, subindo duas colocações em relação ao ano passado. Com 71,6 pontos, a maior nota desde que entrou para a lista, ela é a 11ª mais bem colocada entre as universidades brasileiras e a 19ª de toda a América Latina.
Ao todo, o CWRU avaliou mais de 21 mil universidades, considerando critérios como impacto na produção e publicação de pesquisa científica de excelência, empregabilidade dos egressos da graduação e da pós-graduação e distinções de prestígio recebidas pelo corpo de professores. Destas, 2 mil instituições foram ranqueadas.
“Esse reconhecimento é resultado do trabalho cotidiano da comunidade acadêmica da Universidade de Brasília. Mérito dos nossos estudantes, nossos docentes, nossas técnicas e técnicos e trabalhadoras e trabalhadores que constroem, diariamente, ensino, pesquisa e extensão de qualidade”, parabeniza a reitora Rozana Naves.
A decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO), Doriana Daroit, explica que o avanço da UnB no CWUR reflete, principalmente, o fortalecimento gradual de sua produção científica e de sua inserção nos circuitos internacionais de pesquisa, uma evidência da sua “consistência institucional em um cenário global cada vez mais competitivo”.
“Nos últimos anos, a Universidade ampliou sua presença em periódicos de maior impacto, consolidou grupos de pesquisa e expandiu colaborações nacionais e internacionais, fatores que aumentam diretamente a visibilidade e o impacto do conhecimento produzido, dimensões centrais na metodologia do ranking”, resume Daroit.
Números da UnB no CWUR
Top 4% global
831ª posição mundial
11ª colocação entre as instituições brasileiras
19ª na América Latina
71,6 pontos
Mais de 21 mil universidades avaliadas
DESEMPENHO NACIONAL – Ao todo, 52 universidades brasileiras foram classificadas pela nova lista do CWRU. A instituição nacional com maior pontuação foi a Universidade de São Paulo (USP), seguida da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Completam o Top 5 nacional a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), todas elas públicas e do eixo Sudeste-Sul do país.

De acordo com levantamento do portal de notícias G1, 87% das instituições brasileiras caíram de posições na comparação com o ranking passado. Apenas cinco universidades brasileiras, entre elas a UnB, melhoraram sua classificação, enquanto duas não oscilaram suas colocações.
O diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), Guilherme Gelfuso, pondera que a queda da maior parte das instituições brasileiras no ranking ainda é “reflexo do corte de investimentos em pesquisa que notadamente ocorreu entre os anos de 2016 e 2022”.
Segundo Gelfuso, a ascensão da UnB na lista ganha “dimensão expressiva” e reflete “a resiliência institucional e a eficácia de políticas internas e continuadas de fomento à pesquisa, inovação e pós-graduação”. Entre as ações, o diretor destaca o aporte de recursos em várias áreas da pesquisa e inovação por meio de editais públicos voltados a docentes e pesquisadores.
É o caso de investimentos para o pagamento de taxas de publicação em periódicos internacionais de alto impacto e para o acesso do corpo docente e discente a eventos científicos nacionais e internacionais.
O diretor do CDT também ressalta novos modelos de editais de apoio ao pesquisador que levam em consideração as dificuldades reais que grupos diversos enfrentam na manutenção de suas infraestruturas de pesquisa, além de chamamentos específicos voltados ao empreendedorismo inovador, caso do Prisma e da Fábrica de Spinoffs, e para a promoção da equidade de gênero, como o Edital Mulheres na Ciência, lançado este ano em ação coordenada de vários decanatos.
“A produção acadêmica manteve o rigor científico mesmo diante de restrições orçamentárias, e isso também pode ser notado pelo número crescente de programas de pós-graduação de excelência, com notas 5, 6 e 7 [as mais altas] na última avaliação quadrienal da Capes”, reitera Gelfuso.

MONITORAMENTO – De acordo com a decana do DPO, o CWUR ocupa posição singular entre os rankings internacionais porque adota metodologia baseada exclusivamente em dados coletados por fontes externas, sem pesquisas de reputação e sem informações fornecidas pelas próprias instituições. Apesar das diferenças metodológicas entre as listas globais, Doriana Daroit reconhece que há dimensões recorrentes: produção científica, impacto das publicações, internacionalização e inserção acadêmica global.
Ela ressalta que, na UnB, iniciativas de investimento em infraestrutura, fomento às publicações de alto impacto e presença em eventos internacionais recebem acompanhamento contínuo pelos indicadores institucionais.
A decana do DPO ainda destaca a consolidação do Plano de Internacionalização 2025–2030, que “estabelece diretrizes concretas para a ampliação da cooperação internacional, o fortalecimento de redes globais de pesquisa e a expansão das oportunidades de mobilidade acadêmica” e que torna a internacionalização “uma política com metas, prazos e diretrizes claras”.
Outro critério que pesa no CWUR é a empregabilidade dos egressos da graduação e pós-graduação em grandes instituições globais. O quesito é monitorado pelas políticas internas da UnB, por exemplo, em bases de dados oficiais, como a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), para identificar localização geográfica, vínculos empregatícios, ocupações exercidas e rendimentos médios de ex-alunos.
“São informações que subsidiam os processos de avaliação institucional e o aperfeiçoamento dos cursos de graduação. Os dados indicam que os graduados na UnB apresentam elevada capacidade de inserção profissional tanto no Distrito Federal quanto em outras regiões do país. Isso decorre não apenas da formação técnica oferecida, mas também da capacidade de desenvolver competências analíticas, pensamento crítico, resolução de problemas complexos e adaptação a diferentes contextos profissionais”, analisa o decano de Ensino de Graduação, Tiago Araújo.
PERSPECTIVA CRÍTICA – Ao comemorar o resultado no CWUR, os gestores ouvidos pela reportagem também agregam um olhar atento e analítico aos números. Para a decana Doriana Daroit, embora os rankings internacionais permitam acompanhar tendências e contribuam para a orientação de estratégias institucionais, eles carregam limitações que não podem ser ignoradas.
“Suas metodologias tendem a favorecer instituições localizadas em países com maior tradição científica, maior disponibilidade de recursos e inserção consolidada nos circuitos internacionais de pesquisa, o que coloca universidades públicas do Sul global em posição estruturalmente desvantajosa.”
“As tabelas classificatórias falham em mensurar, por exemplo, o papel transformador que instituições como a UnB exercem na formação de recursos humanos qualificados ou na extensão universitária”, aponta Guilherme Gelfuso.
Ainda assim, Doriana Daroit reitera que “o avanço da UnB importa não como validação externa da sua qualidade, mas como evidência de que ela ampliou sua presença e seu impacto global”.ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

